Resumo: O artigo discute o “paradoxo do menor frete”, mostrando que a seleção de transportadoras baseada apenas no menor preço gera uma falsa economia e compromete pilares críticos como segurança, nível de serviço, produtividade e sustentabilidade. Ao ignorar o Custo Total de Propriedade (TCO) e focar só no R$/ton ou R$/m³, embarcadores acabam assumindo custos ocultos com acidentes, roubo de cargas, atrasos, avarias, retrabalho, aumento de estoque, perda de reputação e riscos legais, especialmente em um contexto de rodovias precárias, frotas antigas e uso de agregados pouco qualificados. O texto também evidencia como essa lógica vai na contramão das exigências ESG, ao estimular transportadoras que não investem em manutenção, tecnologia, condições dignas de trabalho e governança transparente.
Introdução
No cenário dinâmico da cadeia de suprimentos moderna, as equipes de Suprimentos e Procurement desempenham um papel crucial na otimização de custos e na garantia da eficiência operacional. A seleção de transportadoras é uma das decisões mais estratégicas, impactando diretamente a capacidade de uma empresa de entregar seus produtos de forma eficaz e competitiva. Uma prática comum e, por vezes, arraigada no mercado é a escolha de parceiros logísticos baseada predominantemente no menor frete unitário, expresso em métricas como R$/ton. ou R$/m^3. Embora essa abordagem possa parecer, à primeira vista, uma estratégia inteligente para a redução de custos diretos, ela frequentemente esconde uma série de consequências negativas e custos ocultos que comprometem a segurança, o nível de serviço, a produtividade e, cada vez mais, a sustentabilidade das operações.
Este artigo explorará o paradoxo do menor frete, analisando como a busca incessante pelo preço mais baixo pode minar os pilares de uma cadeia de suprimentos robusta e responsável. Abordaremos os impactos diretos e indiretos dessa prática, utilizando dados de mercado e insights sobre a importância de uma visão holística na seleção de transportadoras, que transcenda a métrica simplista do custo unitário e abrace o conceito de Custo Total de Propriedade (TCO) e os princípios ESG (Environmental, Social, and Governance).
O MODELO TRADICIONAL DE SELEÇÃO: A ARMADILHA DO MENOR PREÇO
A prevalência da seleção de transportadoras baseada no menor preço é um fenômeno compreensível. Em um ambiente de negócios competitivo, a pressão por resultados financeiros de curto prazo e a simplicidade de uma métrica de custo direto tornam essa abordagem atraente. As métricas tradicionais de procurement frequentemente recompensam a redução de custos imediatos, levando as equipes a priorizarem o frete mais barato. No entanto, essa simplicidade é enganosa. Como bem pontuado no contexto de negociação com fornecedores, “O que é combinado não é caro!”. Isso significa que a clareza dos acordos, a qualidade do serviço e a mitigação de riscos deveriam ter um peso maior do que apenas o valor nominal do frete.
A armadilha do menor preço reside na ignorância do Custo Total de Propriedade (TCO). Enquanto o frete unitário é apenas uma parte do custo direto, o TCO engloba todos os custos associados à aquisição, uso e descarte de um serviço ou produto ao longo de seu ciclo de vida. No transporte, o TCO vai muito além do preço da tabela de frete, incluindo:
● Custos diretos: Frete, pedágios, taxas.
● Custos ocultos: Atrasos na entrega, avarias de carga, extravios, devoluções, custos de reentrega, multas por não conformidade, custos administrativos para gerenciar problemas.
● Custos de qualidade: Inspeções adicionais, retrabalho, perda de reputação.
● Custos de estoque: Necessidade de manter estoques de segurança maiores devido à imprevisibilidade, impactando o capital de giro.
A aplicação do Princípio de Pareto (80/20) é fundamental aqui: 80% dos problemas ou custos podem vir de 20% dos fornecedores. Identificar e gerenciar criticamente esses fornecedores, não apenas pelo preço, mas pelo seu impacto total, é essencial. A seleção baseada exclusivamente no menor frete unitário ignora esses componentes críticos do TCO, levando a uma falsa economia que, no longo prazo, se traduz em despesas muito maiores e impactos negativos em diversas frentes.
IMPACTOS EM SEGURANÇA
A segurança é uma das primeiras vítimas da busca desenfreada pelo menor frete. Transportadoras que operam com margens extremamente apertadas são frequentemente forçadas a cortar custos em áreas críticas, como manutenção de veículos, treinamento de motoristas, jornada de trabalho e tecnologias de segurança. Isso cria um ambiente propício para acidentes, com consequências graves para vidas humanas e para a carga transportada.
O cenário rodoviário brasileiro agrava essa situação. Dados da Confederação Nacional do Transporte (CNT) de 2023 revelam que 67,5% das rodovias brasileiras são classificadas como regulares, ruins ou péssimas, exigindo veículos em perfeitas condições e motoristas bem treinados. No entanto, a pressão por fretes baixos incentiva a utilização de frotas mais antigas e menos seguras.
A crise de segurança no trânsito é uma realidade brutal no Brasil, com mais de 34.000 mortes em acidentes de trânsito em 2023, muitos dos quais envolvendo veículos de carga. A escolha de transportadoras que utilizam subcontratados (agregados) sem a devida qualificação e fiscalização, conforme alertado em análises de fornecedores, aumenta exponencialmente esses riscos. A dependência de agregados sem um processo rigoroso de homologação e monitoramento pode levar a uma cadeia de transporte perigosa.
Os custos de segurança comprometida são vastos: acidentes, perda de carga, responsabilidade civil e criminal, aumento dos prêmios de seguro e, talvez o mais danoso, o impacto irreparável na reputação da empresa embarcadora. Um relatório da Federação Internacional dos Trabalhadores em Transportes (ITF) destaca como sistemas de pagamento inseguros, que pressionam os motoristas por entregas rápidas e baratas, impulsionam a exploração e comprometem a segurança no transporte rodoviário globalmente.
IMPACTOS NO NÍVEL DE SERVIÇO
A degradação do nível de serviço é uma consequência direta da seleção de transportadoras baseada apenas no menor preço. Transportadoras que operam com margens mínimas têm pouca flexibilidade para lidar com imprevistos ou para investir em melhorias que garantam a qualidade da entrega. Isso se manifesta em:
- Atrasos frequentes: Falta de manutenção preventiva, rotas otimizadas ou planejamento adequado.
- Avarias e danos à carga: Manuseio inadequado, embalagem deficiente ou veículos sem as condições ideais de transporte.
- Comunicação falha: Falta de sistemas de rastreamento eficientes ou equipes de atendimento ao cliente sobrecarregadas.
Esses desvios impactam diretamente a satisfação do cliente final e podem abalar seriamente as relações comerciais. Em um mercado onde a experiência do cliente é um diferencial competitivo, um serviço de transporte deficiente pode levar à perda de vendas e à deterioração da imagem da marca.
É crucial que os KPIs (Key Performance Indicators) de transporte vão além do preço. Métricas como pontualidade na entrega, integridade da carga, conformidade documental e tempo de resposta a incidentes são indicadores muito mais precisos da qualidade do serviço. A gestão de desempenho de fornecedores, com base em acordos de nível de serviço (SLAs) claros e monitoramento contínuo, é essencial para garantir que as expectativas sejam atendidas.
Os custos ocultos de um nível de serviço deficiente são significativos: multas contratuais por atraso, vendas perdidas devido à insatisfação do cliente, necessidade de realizar embarques emergenciais com custos mais altos, e o custo de aquisição de novos clientes para substituir aqueles que foram perdidos. A escolha de uma transportadora de baixo custo pode, paradoxalmente, resultar em um custo total de serviço muito mais elevado.
IMPACTOS NA PRODUTIVIDADE
A produtividade de uma empresa é intrinsecamente ligada à eficiência de sua cadeia de suprimentos. Transportadoras não confiáveis, selecionadas unicamente pelo menor frete, podem se tornar um gargalo significativo, reduzindo a eficiência operacional e gerando perdas de tempo e recursos.
Os problemas mais comuns incluem:
- Tempo desperdiçado no gerenciamento de problemas: Equipes internas dedicam horas valiosas para resolver reclamações, investigar atrasos, coordenar retrabalhos ou organizar embarques de emergência. Esse tempo poderia ser empregado em atividades mais estratégicas.
- Impacto na gestão de estoque e capital de giro: A imprevisibilidade nas entregas força as empresas a manterem estoques de segurança maiores, amarrando capital de giro e aumentando os custos de armazenagem.
- Interrupção de cronogramas de produção: Atrasos na chegada de matérias-primas podem paralisar linhas de produção, gerando custos de ociosidade e perda de capacidade produtiva.
- Perda de produtividade dos funcionários: Colaboradores de diversas áreas (logística, vendas, atendimento ao cliente) são desviados de suas funções principais para lidar com as consequências de um transporte ineficiente.
A falta de tecnologia e visibilidade é outro fator. Transportadoras de baixo custo raramente investem em sistemas de gestão de transporte (TMS), rastreamento em tempo real ou plataformas de comunicação que poderiam otimizar as operações e fornecer dados valiosos. A capacidade competitiva de uma transportadora, conforme destacado em análises de fornecedores, é construída sobre produtividade e tecnologia, não apenas sobre o preço mais baixo. Ignorar esses aspectos é comprometer a própria produtividade da empresa embarcadora.
IMPACTOS NA SUSTENTABILIDADE E ESG
A sustentabilidade e os fatores ESG (Environmental, Social, and Governance) deixaram de ser um diferencial para se tornarem um imperativo estratégico e de conformidade. Uma pesquisa de 2024 revelou que 83% dos executivos C-level estão aumentando seus gastos com sustentabilidade, indicando uma mudança de paradigma. O procurement sustentável está evoluindo de uma política para um pilar de desempenho, conforme estudo da IntegrityNext/CIPS para 2025.
A seleção de transportadoras baseada no menor frete frequentemente ignora ou compromete esses pilares:
- Impactos Ambientais: Transportadoras que oferecem fretes muito baixos tendem a operar com frotas mais antigas, menos eficientes em termos de combustível e com maiores emissões de gases de efeito estufa (GEE). O setor de transporte e logística é responsável por aproximadamente 7% das emissões globais de GEE (McKinsey). A escolha de parceiros que não investem em veículos mais novos, tecnologias de otimização de rotas ou combustíveis alternativos contribui para a pegada de carbono da cadeia de suprimentos do embarcador.
- Impactos Sociais: A pressão por fretes baixos pode levar à exploração de motoristas, com jornadas de trabalho exaustivas, salários inadequados e condições de trabalho precárias. Isso não apenas viola direitos trabalhistas, mas também compromete a segurança (conforme discutido anteriormente). Empresas embarcadoras que se associam a transportadoras com práticas sociais questionáveis correm o risco de danos reputacionais significativos e de serem associadas a cadeias de suprimentos antiéticas.
- Governança: A falta de transparência e conformidade é comum em transportadoras que operam na margem. Isso pode gerar riscos regulatórios, multas e problemas legais para o embarcador. A governança inadequada também se manifesta na falta de relatórios de desempenho, auditorias e certificações que atestem as boas práticas da transportadora.
A responsabilidade corporativa e a transparência da cadeia de suprimentos são cada vez mais exigidas por consumidores, investidores e reguladores. Ignorar os fatores ESG na seleção de transportadoras não é apenas uma questão ética, mas um risco de negócio de longo prazo que pode afetar o acesso a capital, a lealdade do cliente e a licença social para operar.
A ABORDAGEM HOLÍSTICA: ALÉM DO PREÇO UNITÁRIO
Para superar o paradoxo do menor frete, as equipes de Suprimentos devem adotar uma abordagem holística na avaliação e seleção de transportadoras, focando no Custo Total de Propriedade e nos valores ESG. Os critérios de avaliação devem ser abrangentes e ir muito além do preço, incluindo:
- Escopo e Área Operacional: Capacidade de atender às necessidades geográficas e de volume da empresa.
- Capacidade Competitiva: Avaliação da produtividade da transportadora, sua estrutura de custos, investimento em tecnologia (TMS, rastreamento, automação) e capacidade de inovação.
- Solidez Financeira e Transparência: Análise da saúde financeira da transportadora para garantir sua sustentabilidade e capacidade de investimento, além da transparência em suas operações e custos.
- Nível de Serviço e KPIs Claros: Definição e monitoramento de KPIs de desempenho (pontualidade, integridade da carga, tempo de resposta, conformidade documental) com base em SLAs robustos.
- Qualidade e Reputação: Histórico de desempenho, referências de clientes, certificações de qualidade e reputação no mercado.
- Desempenho e Conformidade ESG: Avaliação das práticas ambientais (frota, emissões), sociais (condições de trabalho, segurança) e de governança (ética, conformidade regulatória).
É fundamental migrar de uma relação de compra transacional para parcerias estratégicas com fornecedores. Isso envolve o desenvolvimento de fornecedores, incentivando a melhoria contínua e a integração tecnológica. A distinção entre “certificação” e “aprovação” de fornecedores é crucial: a certificação atesta a conformidade com padrões, enquanto a aprovação é um processo interno que garante que o fornecedor atende às necessidades específicas da empresa.
A integração de tecnologia, como sistemas de gestão de transporte (TMS), plataformas de rastreamento e telemetria, e ferramentas de análise de dados, permite uma visibilidade sem precedentes sobre o desempenho das transportadoras, facilitando a tomada de decisões baseada em dados e a gestão proativa de riscos.
Conclusão
A busca pelo menor frete unitário na seleção de transportadoras é uma estratégia míope que, embora possa gerar economias aparentes no curto prazo, acarreta custos ocultos e riscos significativos para a segurança, o nível de serviço, a produtividade e a sustentabilidade de uma empresa. Os dados são claros: desde os altos índices de roubo de cargas e acidentes rodoviários no Brasil até a crescente pressão por práticas ESG, o custo de um transporte “barato” é, na verdade, muito alto.
A otimização de custos verdadeira exige uma visão holística, que considere o Custo Total de Propriedade (TCO) e integre os fatores ESG como elementos centrais na decisão de procurement. Empresas que investem em parcerias estratégicas com transportadoras de qualidade, que demonstram compromisso com a segurança, a excelência no serviço, a eficiência operacional e a responsabilidade socioambiental, não apenas mitigam riscos, mas constroem uma vantagem competitiva duradoura.
É imperativo que as equipes de Suprimentos evoluam além das métricas simplistas de preço unitário. A integração de critérios abrangentes de avaliação, o monitoramento contínuo de KPIs e o fomento de relacionamentos estratégicos com fornecedores são passos essenciais. No final das contas, “O que é combinado não é caro” – investir em transportadoras de qualidade, com acordos claros e expectativas bem definidas, não é um gasto, mas um investimento que entrega valor superior e resiliência para o negócio a longo prazo. A integração de ESG no procurement de transporte não é mais uma opção, mas uma necessidade para a sustentabilidade e a resiliência empresarial no futuro.
👉 Você acredita que continuar escolhendo transportadoras com base apenas no menor frete, ignorando custos ocultos com acidentes, avarias, roubos, atrasos, retrabalho, estoques inflados e danos à reputação, ainda faz sentido em um cenário em que segurança, qualidade de serviço e critérios ESG são cada vez mais exigidos por clientes, sociedade e investidores?
Deixe sua opinião nos comentários! Sua visão pode inspirar outras empresas a repensarem seus critérios de contratação, substituindo a lógica do “menor preço a qualquer custo” por uma visão de custo total, performance e parceria estratégica, que valorize transportadoras comprometidas com manutenção, tecnologia, condições dignas de trabalho e governança. Assim, o frete deixa de ser apenas um número na planilha e passa a ser uma alavanca para reduzir sinistros, proteger vidas, fortalecer a imagem da marca e construir um transporte rodoviário de cargas mais sustentável e competitivo no longo prazo.
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Artigo escrito por Tibério Pereira – Consultor em Road Safety, SSMA e Logística | Redução de Sinistralidade e Custos Operacionais | Experiência em Esso, Cosan, Raízen | Implantação de Inovação em Grandes Embarcadores e Transportadora.
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